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30 de mai. de 2014

Entre o destino e jornada

O amor é um jogo curioso, pois até certo tempo atrás para demais para mim, porém desde que te encontrei tudo mudou e os dias que passo junto a ti são como um prêmio.


"...Pois eu já havia vivido tantos romances e tantos flertes por essa vida...Sonhos são montados diariamente em minha cabeça acerca do que seria o amor ideal, do relacionamento ideal, daquilo que se busca enfim na vida. Mas nem todos os sonhos são para se tornar realidade, assim como nem toda realidade nos será moldada de acordo como planejamos. E ainda assim pode ser maravilhosa."

Não que o que se quer não será jamais alcançado...mas pode ser que o caminho trilhado não aconteça como pensamos. Poderá haver armadilhas, surpresas, desvios de rota, mudança mental, outras necessidades temporais ou permanentes...e algo permanece

Comercial de margarina? Não, obrigado...prefiro manteiga.

O amor pode acontecer em uma adversidade, em uma amizade, pode ser construído em dois segundos ou ser fundamentado em dois meses e ser revitalizado ao longo dos anos. É transformado, é renovado, ou ainda pode ser queimado, destruído, deposto ou reposto.

...Nem toda forma de se mostrar ou de se amar é daquela como queremos, fazemos ou ideamos. Pois cada um de nós sofre, sonha, sente, pensa de forma diferente. Pois o amor está nos detalhes, está naquela conversa sobre qualquer coisa, naquele bom dia, boa tarde, naquelas picuinhas de casal, nos momentos de confidências mútuas ou individuais...

"...É preciso ter cuidado com as diferenças, mas o excesso de semelhanças pode despertar o diabo dentro de nós...e nem todos sabemos lidar com nossos infernos internos. Assim, aprendamos o amor não como o destino final, e sim como a jornada sem fim."

Para embalar esse post...Cranberries - Stars


12 de out. de 2013

Definições



Namorado não é aquilo que você quer que esteja junto de você em todos os instantes. O nome disso é dinheiro.

Namorado não é aquilo que precisa ouvir apenas todas as suas tristezas. O nome disso é psicólogo.


27 de fev. de 2012

Fragmentos

"Eu não sabia direito em que pensar. Parecia que o mundo estava a meu favor e contra mim ao mesmo tempo, em todas as circunstâncias. Tentava virar à direita durante o percurso, mas algo me dizia para ficar à esquerda, que é o lado mais bonito. Pensava em me achar depois de tantos goles de conversas avulsas, porém ainda estava ali, pendurado em um roteiro inacabado de um filme de amor que começamos a escrever."

"Eu queria seguir sem frente. Mas queria ficar em ponto morto. Primeira marcha, talvez. Uma velocidade lenta, básica para me manter calmo e sereno mesmo em sonhos agitados, em que somente sua presença me preenchia após tantos dias de suposto encaixe em uma vida normal. Eu não sou do agito, mas não por isso você precisa cessar."


"...e nesse blecaute me acho num breu criativo, convidativo a uma charla contigo. Vêm-me assuntos repentinamente, apenas quero saber o que estou pensando, o que você está pensando, o que acha de minha voz novamente...Estava retido em emoções nunca sentidas antes, e que parecem não se esvair de mim. E nem penso em me separar delas. Não há sofrimento, apenas consentimento. Algum novo vocábulo para inventar e assim definir o coração que me palpita toda vez que te sinto."

"Mudo de direção. Mudo de velocidade. A estrada é meio sinuosa, não posso ir do jeito que quiser a todo momento. Posso bater o carro e me derrapar mais uma vez. Não quero me encontrar novamente em um beco sem saída, sem ter para onde fugir. Preciso de um guia, um mapa..."

18 de jan. de 2012

Poesia urbana



Lá estava ele de novo, buquê de flores em mãos, porém nenhum cartão preparado nem mesmo aqueles prontos que se compram a R$ 1,99 em alguma papelaria - e sobre os quais nunca se tem o retorno daquele mísero um centavo. Parado, imoto, tentando imaginar como iniciar uma conversa, por mais simples que fosse, somente para dar o tiro inicial - ainda bem que não baniram as armas no Brasil, senão essa expressão seria censurada agora mesmo!

Recomeçar não é uma tarefa simples. Recolher os pedaços daquela última sessão de duo-análise e convertê-los em algo produtivo, expectativas reais ou falsas, algo que pudesse ser...fisica ou mentalmente montada. As flores não eram as mais bonitas, nem mesmo as mais caras, afinal quanto poderia gastar um estagiário em plantas que poderiam nem durar alguns meses? No entanto, havia um valor sentimental dentro delas, mesmo tendo custado alguns trocados na Rua das Flores, perto de onde ele trabalha todos os dias. Aqueles trocados gastos poderiam siginficar, dentre várias coisas:

- Que romântico, ainda há cavalheiros nesse mundo;
- Ele esqueceu que sou alérgica a flores, que coisa!;
- Tá pobrezinho mesmo, só falta me levar para comer um burgão na esquina;
- O que vale é a intenção, e parece essa ser das melhores;
- N.R.A

Ou seja, seu destino estava novamente baseado no ENEM.

O metrô está cheio, como sempre nesse horário. Pessoas disputando lugares, outras apenas assistindo ao Coliseu metropolitano, aguardando o fim da guerra para entrarem...e ele nessa leva, sem querer sentar, sem querer se preocupar se seus pés ficarão doendo mais um tempo ao longo dessa noite. O que importava era...recomeçar.

50 minutos depois, estava ele lá, respirando a cidade sabendo que um aroma mais fresco e mais suave logo ali aportaria e o enlouqueceria internamente - nem sempre canalizar tudo que se passa na gente é bom. Imagine você relatar a alguém cada um de seus sonhos, alguns deles psicóticos, outros deles surreais...haja ouvido, e nem psicológo pode aguentar. Olhava para o relógio, sem notar que não havia atrasos por parte de ninguém - ele chegara adiantado demais, ansiedade pesa nessas horas. Mas tudo bem. Começou a cantarolar as músicas de que mais gosta, até o momento certo vir. E ainda pensando sobre o que conversar. Não poderia ser direto ao ponto, assustando-a, nem ser enrolão demais, deixando-a confusa. E as flores, o que fazer com elas? Flores são sinal de algum sentimento forte, dá-las de pronto já daria a deixa...e a conversa se iniciaria. Sobre o que mesmo? Onde rolaria? Comer algo? Enfim...mais dúvidas...

E ela chega de surpresa, sussurrando-lhe ao pé do ouvido, como uma pegadinha. Elogia-a, como manda o protocolo geral de reencontro - outros pontos são as perguntas da vida, novidades, casa, trabalho...você sabe o resto, só não deixe o silêncio imperar, silêncios implicam...constrangimentos...perguntas clichês novamente...e ninguém quer isso.

Ela se lembra de que precisa comprar algo para a mãe, que planeja fazer uma festa para a filha da vizinha, e pede que ele vá com ela a algum mercado. Andar para ele é o de menos, e se for mais melhor, assim tem chance de charlar mais e mais...sem ter a noção do tempo passando...e nem se importa. Item comprado, e as flores dentro da mochila - preferiu guardá-las pois pensou que ficar com o buquê esperando seria muita obviedade...quando fosse a hora abriria sua mochila e terminaria o serviço - quase um mafioso.

Comem em alguma lanchonete agradável, ela diz que tem de ir embora cedo, ele a acompanha até perto de sua casa...e o buquê ainda dentro da mochila. Ao chegar a casa, põe-no em um vaso e começa a cuidar dele...para que dure muito tempo...até recomeçar.

20 de dez. de 2011

Prova de amor


Inocência passava as manhãs correndo à porta da rua, colher de pau na mão.
-O carteiro já veio?
Não achava sossego Às vezes era ela quem recebia a correspondência.
-Paulinho, vem olhar. Tem carta pra mim?
E estendia o maço de cartas. Não havia. Ela baixava os olhos desesperada, contando nos dedos. Já fazia "tantos" dias que Julião partira.
-Não dava tempo dele escrever, d. Irene?
Dava. Mas a carta poderia extrviar-se, ninguém sabe...
-Como é que as outras não se extraviam? - perguntava Inocência, apontando a colheita epistolar da manhã.

(Orígenes Lessa, Rua do Sol)
Saudade bate forte no peito, queremos logo notícias ou recados daqueles que queremos...seja uma mensagem de celular, um scrap no orkut, um recadinho virtual...qualquer sinal de que alguém estái aqui, pela gente, amando-nos...pode ser em linguagem internetês (t amo d+, t vj + tard, bjs), um poema reciclado ("O amor é fogo que arde sem se ver..."), algum trecho de música cool ("E aonde quer que eu vá, levo você no olhar..."). Bate no peito algo estranho, ansiedade, mistura de emoções pela falta de sinais...

O que seria uma prova de amor? A gente acha que é dizer mil vezes ao dia "Eu te amo", citar frases de Caio F. Abreu (mesmo que não pertençam a ele), criar mensagem ^^ somente para ter algo a dizer...se o que for dito for realmente sincero vale a pena, mas não vale nada forçar a barra querendo mostrar muito sem querer dizer nada.

Às vezes uma carta simples diz muito mais que três serenatas planejadas dias a fio. Um almoço preparado com esmero diz mais que um jantar caríssimo num restaurante fino. Eu prefiro o toque do rústico, porém real e amoroso, ao toque do refinado, porém artificial. Não preciso de mil provas de amor por segundo, pois sei que com meu amor, mesmo sem vê-lo, sei que estarei indo bem...

E citando já Renato, curtamos "Giz":

7 de dez. de 2011

Coração de ouro

Um dia inteiro sem notícias de Deus
A gente tenta seguir sem olhar p'rá trás
Deixando passos e fotografias
E sentimentos que ficarão no coração
Ainda que se negue tudo e muito mais...
A gente tenta enganar os outros
Mas não consegue enganar a nós mesmos
Errando de direção quando se pode acertar
E querendo fingir que tudo acabou
Quando se sabe que ainda nem começou...
Ajudai àquele que sangra por ti
Aguentai até que as rosas te perfurem
E que todos caibam em teu coração
Sai um pouco desse teu escuro
Desse teu vazio obsoleto...
E me faz teu
E me faz somente teu p'rá sempre
Que isso é que a gente quer
Não me deixes só
Que eu sei que tu não o és...
Meu espírito voa ao encontro do teu
Minhas mãos secam e suam e sacodem
Chega sem medo, sem pressa, sem hesitar
Um dia inteiro sem notícias de Deus
A gente tenta seguir sem olhar p'rá trás...

4 de dez. de 2011

A joia do Nilo

Sentada, calada, quase retida em pensamentos semelhantes e dores profundas. Inventando uma palavra nova a cada cinco segundos para definir tristeza, solidão, falta de afeto, desespero...dores de cabeça lhe invadem pela noite, e ela só pensa em achar alguém em quem se apoiar e desabafar sobre qualquer coisa. Seus óculos estão sujos, querendo se esconder de visões que lhe ofendem. Ela cansada, viajando em música russa, digitando palavras ao léu, sempre cantando o que foi cantado ao seu pé do ouvido.

Ela inventa metáforas, catacreses, eufemismos, vícios de linguagem. Ela cria vícios para evitar verdades. Maldiz o que lhe é bendito para sabotar sua vida.

1 de dez. de 2011

Autolimpante - e não estamos falando de forno


A gente pensa que tudo que vivemos de bom é eterno, mesmo lendo sempre por aí poesias dizendo "que seja eterno enquanto dure", ou que "não há nada que dure mais que o sopro do dragão". A gente vai vivendo e curtindo, achando que está tudo bem. Com uma mão no bolso e a outra tocando o piano. Com um olho no amor e outro no futuro a ser construído. Sem se ver por dentro, sem notar as imperfeições pequenas de cada dia vivido.
A gente vai sonhando com viagens, casa, passeios, filmes...sonhando em escrever uma música, um conto, algo que eternize os sentimentos que temos por alguém que queremos. E vamos deixando de lado pequenas coisas que fazem a diferença em um dia ruim, como uma palavra de apoio, uma moderação de comportamento...e continuamos sonhando.
A gente tem medo do "repentino", que nunca é repentino. Uma antirreação a nossas ações não vem do nada: é um acúmulo de desgastes que se guarda, tolerando até que se diz "Basta!" e ficamos atordoados, dizendo-nos: "mas o que houve para acontecer isso?", e ficamos ali, atônitos, simplesmente chorando e aflitando sobre o fim. Ou sobre o hiato.
Depois de um tempo a mente esfria, e começamos a varrer o espaço percorrido ao longo desse tempo, encontrando sujeira onde víamos pó de pirlimpimpim. Encontramos manchas onde víamos borrões de tinta. Vemos lágrimas onde achávamos ser gotas de chuva. E repensamos. E começamos a rever conceitos que achávamos certos, e abrimos os olhos para um novo horizonte.


"I feel a little careless
I feel a little hopeless
Trying to my mood understand
This is a little toughness
But you can come and help me
I just want to be by your side..."

Careless - por mim mesmo

27 de nov. de 2011

Quando a mudança vem

A vontade de mudar-se não é algo simples de se fazer. Temos o pensamento de que mudar-se faz com que não sejamos nós mesmos, que não estejamos fiéis a quem somos. Porém, o ato da mudança interna pode ser benéfica, desde que tenhamos um olho clínico para aquilo que fazemos ao redor e com aqueles qe nos cercam. Achamos que mudar por alguém ou devido a alguém é tolhir-se, esconder-se embaixo de desculpas para não falhar. As falhas vêm e vão, e aprendendo com elas vamos nos aperfeiçoando, mantendo alguns traços e alterando outros, de acordo com o movimento da vida.
Demorei a ver que meu comportamento irônico-agressivo fazia mal a muita gente, uma vez que eu tapava os ouvidos para as críticas, ou elas não vinham a mim. Demorei a perceber que moderação é a chave para se estabelecer em uma sociedade. A gente não precisa se ocultar perante outros mundos, não precisa afrontar os outros que nos negam; a gente precisa tirar de nossa essência o melhor dela, e moderá-la à medida que vamos avançando.
Eu não preciso deixar de ser humorado, mas não tenho de a toda hora ser infame, vulgar e grosseiro, lados negativos que influem meu humor.
Eu não preciso parar de ser agitado e disposto a dançar. Mas também não tenho de pedir que todos o façam junto comigo. Assim como não tenho de forçar uma graça para me mostrar ao mundo.
A gente vai mudando com os outros, pelos outros, por causa de outros, e sempre repensando como ser aquele que a gente mais ama.

E agora, Ozzy Osbourne: Changes